Minhas impressões de “Cuide dos pais antes que seja tarde”, de Fabrício Carpinejar.

8.11.18


Antes de ler esse livro, conhecia a escrita do Carpinejar somente por suas famosas frases em guardanapos, participações em entrevistas e pelo programa Encontro com Fátima Bernardes. Como imaginei, o escritor nos envolve em um texto capaz de alcançar os mais diversos públicos. É simples, é acessível, é sentimental. A profundidade exigida na leitura não é a linguística, mas a da alma. 
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O assunto abordado no livro é comum. Faz parte do dia a dia de praticamente todos. A pergunta é: e quem para, a fim de refletir sobre isso? Quem, ao planejar sua vida adulta, considera os pais nela? Quantos de nós alimentamos o discurso “me teve porque quis”, como desculpa para se isentar das responsabilidades futuras com quem, em princípio, abdicou de tempo, sono e sonhos por nós? Para dizer o mínimo. 
Carpinejar nos presenteia com histórias cotidianas, triviais, em suas superfícies, mas carregadas de intenções disfarçadas – ou não – por parte de nossas mães. Elas são estrategistas, essa é a verdade. Planejam, dentro de seus corações maternos que, sabe-se lá como cabem em si, maneiras de nos ter mais perto e por mais tempo. Segundos ao nosso lado convertem-se na mais feliz das eternidades. 
E nós? Não temos tempo. Não temos saco. Ingratos que somos, reduzimos em cobranças injustas, simples pedidos de amor. Melhor dito: declarações periódicas de “eu te amo”, as quais nossas mentes - perdidas em devaneios insanos da correria habitual - não conseguem interpretar. E elas estão ali, bem diante de nossos olhos, ouvidos e corpos. No abraço mais demorado, no “leva um casaco”, na exigência da devolução do pote carinhosamente preparado com aquele pedaço de bolo, purê, lasanha. Estão lá, nas reclamações de “é visita de médico” ou nas mais escancaradas de “fica mais um pouquinho, ainda é cedo”. 
Fabrício é visceral ao falar de amor. No âmbito que for! É transparente ao confessar que fugia das ligações da mãe e fazia visitas sempre apressadas. Assumiu, há pouco, - quando se viu pensando em sua velhice e aposentadoria -  não considerar seus pais em seus planos futuros. Na mesma ocasião, ao conjecturar o que queria para si nos anos vindouros, "caiu a ficha" de Carpinejar fazendo-o refletir sobre a mortalidade dos pais. Eles não durariam para sempre, fato! Então, como faria para retribuir todo o amor despendido com ele, que fora oferecido de maneira incansável e incondicional? Como resultado desta reflexão, o filho reformulou seus planos futuros. E, a partir dali, a prioridade passou a ser o seus pais.   
Em determinada parte do livro, Carpinejar nos conta sobre sua rebeldia adolescente e lança luz a algo que, até então, eu não havia refletido sobre: as incompatibilidades de pensamentos entre pais e filhos. Os pais, como o autor expõe, mesmo não concordando conosco (independente de qual lado possa ou não ter razão) tendem a respeitar nossas escolhas ideológicas. Nós não. Perdemos nosso precioso tempo ao lado deles, tentando convencê-los a mudar suas opiniões, muitas vezes, trazidas desde sua mais remota existência. E esse tempo finito poderia ser muito melhor aproveitado com risadas, amor genuíno e deleitável. 
Cuide dos pais antes que seja tarde é um banho de água fria que, se acolhido de olhos e coração abertos, resulta em um despertar. Uma mudança de olhar no que se refere aos relacionamentos familiares, principalmente entre pais e filhos. O tempo não mede arrependimentos, mas a conta acaba chegando inevitavelmente. E a falta sentida pela ausência de uma mãe ou de um pai, somado ao remorso por não tê-los valorizado e aproveitado cada instante, no momento em que estavam em nossas vidas, é de corroer o mais gelado dos corações. 
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Carpinejar recomenda “baixar a guarda”, praticar a empatia, ser grato, ler nas entrelinhas o já dito através dos olhares de nossos pais. E na maioria das vezes, eu asseguro, eles só estão proferindo sobre o amor. Diante do findar desta bela leitura, também não quero mais ter razão na vida, Carpinejar, só quero amor mesmo. Cuidar, aproveitar, amar e demonstrar esse amor pelo meu pai - quem ainda tenho - antes que seja tarde demais... 

Obrigada, Carpinejar!

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