Feliz Aniversário, mãe...

22.10.18

Hoje tu completarias 59 anos. Cinquenta e nove, acreditas? Nem eu. Lembro-me que, aos trinta e poucos anos já sofrias por estar “envelhecendo”. Era engraçado te ver em frente ao espelho, esticando o rosto para esconder tuas rugas. Eu achava tudo aquilo um exagero. Eras tão jovem e linda. Que diferença iria fazer umas ruguinhas de expressão? Sempre as relacionei ao teu sorriso, tão reconfortante. Assim como teu abraço, que era o melhor do universo! Acho que, se estivesses aqui irias comemorar com uma bela festa, cheia de jovens, música, performances teatrais, margaridas, coraçãozinho de frango, Ferrero Rocher e cerveja. Tu gostavas tanto de estar entre os jovens, né mãe? Eu, na minha ingenuidade infantil, achava isso meio que fora de contexto. Mal sabia o quão jovem eras também. Quantas etapas tivesse que pular para te tornar mãe e sobreviver a tantas intempéries da vida.
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Eram tantas regrinhas, né? Que coisa bem chata! “Pode isso, não pode aquilo”. “Faz assim. Faz assado”. “Isso não pode, porque agora tu és mãe”. Que droga, mãe! Eu queria poder voltar no tempo para te compreender mais. Tu e tuas dores, tuas frustrações, teus vazios... Mas eu era só uma criança e, no final das contas, acho que as coisas foram como tiveram que ser. Mas precisamos estar atentos a isso para não nos arrependermos depois. Não podemos prever o futuro e, como disse Renato Russo, “é preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã...”.
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Sempre te achei meio doida (risos), mas no ótimo sentido da palavra. Algumas vezes me enlouquecias com tantas cantorias e intervenções teatrais solos que inventavas para nos divertir. Também tinham os teatros na hora do almoço. As interpretações musicais. Tua letra rabiscada, em quaisquer folhas, ora de escritos íntimos, ora de peças para apresentarmos na rua de casa, nas festas juninas que armavas e davam certo! E, adivinha, mãe? A doida hoje sou eu!
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E meus amigos e amigas? Quase todos iam lá em casa para TE procurar! Eu não entendia muito bem aquilo. Até sentia ciúmes. Algumas vezes, assistindo discussões de amigas com suas mães eu ouvia “por que tu não és igual a Rossana?”. E eu não entendia aquilo de novo... Hoje eu entendo, mãe. Entendo e me orgulho de meus amigos e amigas te amarem e admirarem tanto. Quisera eu ter enxergado, na época, o que eles já viam. Tu, tão jovem, tão amiga, tão humana, tão mulher... Eu, por conta da pouca idade, só enxergava mesmo a mãe. A minha mãe.
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Lembras que querias ser psicóloga? Infelizmente tu não podes concretizar esse sonho, mas, sem perceber exercias esse papel o tempo todo, mãe. Comigo, com o mano (mães são um pouco de tudo, inclusive psicólogas), com meus amigos e amigas (que eram teus também!) e com quem quisesse e tivesse a honra de te ouvir. Se eu pudesse voltar no tempo, tentaria ser um pouco tua psicóloga também...
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No fim das contas, mãe, deixaste muitas coisas boas em vários corações. E, hoje, enxergo com clareza que meu amor pela poesia, música, arte e teatro vieram de ti. Além disso, o maior legado que me presenteaste foi o de respeitar todas as pessoas (independente de opção sexual cor, gênero...), a seguir meus sonhos (mesmo que tentem fazer com que eu não acredite neles) e a melhor herança de todas elas: o AMOR. Com toda sua intensidade e cor.

Obrigada por tudo.
Te amo pra sempre. 
Feliz aniversário, mãe!

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