Do lançamento às impressões que tive do livro "O oitavo dia", de Leticia Wierzchowski e Nelson P. Sirotsky

31.10.18


Era dia vinte e quatro de outubro. No dia anterior, eu havia ido a um show e estava muito cansada. Porém, à noite teria o lançamento do livro O oitavo dia. Uma parceria entre a ilustre escritora gaúcha Leticia Wierzchowski. e o ex presidente do Grupo RBS, Nelson Sirotsky. Prometi à Letícia que iria prestigiá-la. Conhecer, pessoalmente, o protagonista (um deles) da história seria um plus
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Conheci a Letícia, em pessoa, em um curso de Formação Livre de Escritores que frequento. Antes disso, a apreciava - como a maioria - pelo seu grande sucesso, A casa das sete mulheres. E, depois deste, vieram muitos outros. Ela é, além de uma escritora ímpar, uma excelente professora. Suas aulas são enriquecedoras e muito estimulantes para quem, assim como eu, aspira tornar-se uma escritora de talento e qualidade. 
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Saí do trabalho, corri para casa e segui em direção a Livraria Saraiva do Shopping Iguatemi. Não poderia perder o lançamento de alguém que eu admirava tanto. E tinha me comprometido. Sabia que seria um evento movimentado, afinal, duas personalidades tão importantes e marcantes do Rio Grande do Sul, só se poderia esperar por um grande número de amigos, familiares e admiradores presentes no local. E não estava enganada. Uma fila gigantes para realizar a compra do tão esperado livro. Outra, maior ainda, para abraçá-los e ter registrado o autógrafo carinhoso dos autores. 
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Uma hora e meia de filas e espera depois, lá estávamos - meu companheiro e eu - diante de duas personalidades brilhantes. Confesso que fui pela Letícia, mas a curiosidade de saber o que Nelson Sirotsky iria oferecer naquelas quase quinhentas páginas também me fez ir até lá, mesmo depois de um dia cansativo de trabalho somado ao cansaço de meu divertimento do dia anterior. 
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Como todos os convidados e presentes, fomos recebidos com muito carinho e alegria. A Letícia, radiante e com sua beleza e simpatia de sempre. Nelson, com aquele olhar de menino feliz pelo nascimento de um novo filho. Eu ainda nem tinha lido o livro, mas já era possível enxergar no semblante do autor, a satisfação de, quase que, um dever cumprido. Só que aquelas páginas significavam muito mais... 
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Voltei para casa mais cansada ainda. Li, como de costume, as orelhas do livro, a abertura, a contracapa e o guardei. Não planejava lê-lo logo. Nem pensei quando começaria. Tantas coisas para fazer... Porém, no outro dia, lá estavam a Letícia e o Nelson me chamando. Sucumbi a minha curiosidade e iniciei a leitura daquele livro que carregava, consigo, um quê de mistério. 
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Quem ama ler sabe, um livro quando é muito bom já te conquista nas primeiras páginas. Iniciada a leitura delas, é quase impossível parar de lê-lo. Só se para quando realmente termina. Eu pausei algumas vezes. Não por vontade, mas porque algumas obrigações exigiam. Em vários momentos me vi, como tantos outros leitores, combinando comigo mesma: só mais um capítulo! E nisso iam mais três, mais quatro ou cinco... 
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Como o próprio Nelson anuncia, e peço licença para transcrevê-lo aqui: "Este não é um livro de memórias. Não é uma biografia. Não é uma história empresarial. Não é uma obra de ficção. Não é um romance. Não é um livro de revelações. O oitavo dia é um pouco de tudo isso.” E ele realmente é tudo isso. Uma narrativa dividida em quatro partes, que se entrecruzam, formando um emaranhado de passado, presente e futuro. Acontecimentos concatenados com a maestria que só a Letícia tem. 
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    Leticia Wierzchowski e Nelson Sirotsky - Foto: Carin Mandelli

O livro foi todo escrito a quatro mãos. Exceto pelas páginas de Autorretrato, escritas exclusivamente por Nelson, em primeira pessoa. Os autores foram muito felizes neste trabalho conjunto. O dom que Letícia tem de transformar qualquer história em uma obra de arte é admirável. Não seria diferente com O oitavo dia. A cada capítulo, uma nova surpresa. Novos personagens. Protagonistas diferentes narram partes do que Nelson escolheu – ou magicamente escolheram com e por ele – nos contar. 
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Quando falamos de alguém tão bem sucedido profissionalmente, dono de um verdadeiro império, não imaginamos o quão de humano aquela pessoa tem ou pode ter. Sei que pode soar estranho dizer isso, talvez até ingênuo ou raso, mas é criada uma espécie de fábula em torno de “personagens” como o Nelson Sirotsky. Eles parecem viver uma vida tão diferente das nossas. Antes mesmo de ler o livro, sem saber nada da vida dele e sua família, eu tinha essa visão fantasiosa. E isso é um erro. Julgamos as pessoas e os fatos, muitas vezes, pelo que vemos na linha de chegada delas. O tanto que construíram, ou não, acaba ficando de pano de fundo para o que imaginamos ter sido a vida inteira de alguém. Como ter vivido somente na prosperidade e no conforto, por exemplo. E nem sempre é assim. Conforme a própria Letícia disse em alguns momentos da narrativa, muita água passou por debaixo dessa ponte... 
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Letícia e Nelson têm algo em comum em suas histórias de vida e que eu considero bem significativo. Não somente por terem cruzado seus caminhos para escreverem essa bela obra. E tenho pensado nisso desde que tive aulas com a Letícia. Ambos são descendentes de imigrantes. Famílias que vieram fugidas da guerra e que, em solo gaúcho, recomeçaram. Essa parcela da população têm uma força espantosa. Mesmo com tantas dores e saudades conseguem – em um país totalmente fora do contexto de suas raízes - se reerguer, se reconstruir, se reinventar. E prosperam. Reconstroem uma nova realidade e logram ser felizes de novo. Ainda que carreguem marcas tão duras do passado. É sempre emocionante ler histórias assim. Ou ouvi-las E, no caso dos autores em questão, não se trata de ficção. 
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O oitavo dia superou todas as minhas expectativas. A história que Nelson nos conta e que foi tecida tão poeticamente pela Letícia me trouxe muito mais do que conhecer a história do Grupo RBS e de muitos de seus familiares e amigos. Claro, toda a parte da criação da rede de comunicação é incrível de se apreciar. No entanto, nela está entrelaçado o que há de mais importante no decorrer de todo o livro: as relações humanas. E Nelson é bem explícito quanto a isso. São elas a parte mais importante de nossas vidas. Seja pessoal ou profissionalmente. 
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Não quero me estender mais do que já o fiz. Nem ficar contando o livro, pois sugiro fortemente que vocês o leiam. Só quero registrar a minha profunda admiração pela família Sirotsky. Em especial ao Nelson, que corajosa e humildemente nos abriu as portas da sua empresa, da sua casa e, principalmente, da sua alma e coração. Nos revelou os bastidores de vários recantos de sua história. Sua espiritualidade. Seus medos e sonhos. Acontecimentos íntimos, dolorosos e até alguns que ele não se orgulha. Junto com Letícia nos trouxe a voz de figuras importantes em sua trajetória. Os que já partiram falam no livro e é lindo de se ler. Pedro Barbeiro, Paulo Sant’anna, seu pai Mauricio, sua mãe Ione. Nara e muitos outros. Está tudo e todos ali. Transparentes como água. 
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E, antes mesmo de terminar essa leitura, senti-me como se conhecesse cada um dos personagens contidos nela. É como se, por alguns instantes, aquela família e história também fossem minhas. Eu os conhecia. Eu vivi dentro daquela empresa, desde que ela iniciou. Com Nelson pequeno indo ao programa de auditório do pai. Presenciei as jogadas arriscadas de negócios e que, graças à determinação, intuição e eu diria até que, o destino de Maurício e Nelson, acabaram sempre dando certo. Emocionei-me com a gravidez da primeira filha de Nelson e Nara. Vibrei com a cura da doença de Maurício. Arrepiei-me com as intuições do autor. Chorei na morte do fundador e pai. Fiquei apreensiva e depois comemorei todos os obstáculos ultrapassados! E mesmo com a partida de Maurício, promessa é promessa! Então, a família permaneceu unida. 
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Ouso dizer que, O oitavo dia, além de tudo o que Nelson Sirotsky afirmou que se trata, também é uma lição de vida. Com ele, enxerguei muito mais do que o empresário de sucesso, mas, também conheci o pai, o filho, o neto, o esposo. Vi uma pessoa comum, humilde e muito humana. Vi a riqueza que é estar com a família e lutar sempre por essa união. Vi como vale à pena ir em busca de nossos sonhos, mesmo que fatores internos e externos queiram nos fazer acreditar no contrário. Vi que quando a gente quer mesmo algo podemos cair dez vezes, pois levantaremos onze ou quantas vezes mais forem necessárias... Tudo é possível com estudo, perseverança, suor e muito amor no coração. Maurício, ao lado de seu irmão Jayme, sua esposa Ione e seu primogênito levantou um império do zero. E que, mesmo tendo enfrentado tantos entraves, não esmoreceram. Permaneceram unidos e venceram. O oitavo dia me deu vontade de viver. Intensamente! Se teu objetivo ao escrever este livro foi o de eternizar tua história e de tua família, Nelson, cumpriste com louvor!

Esta é uma história de superação, gratidão e amor. Em todas as suas definições...

Que bom que não me deixei vencer pelo cansaço!

Obrigada Nelson e Letícia. 

Obrigada família Sirotsky.

    Sentados: Nelson Sirotsky, Letícia Wierzchowski 
     Em pé: Mitcheia Guma, Rick Lisboa
     Lançamento de O oitavo dia       
     Livraria Saraiva do Shopping Iguatemi.    
     Acervo pessoal



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