Uma carta de amor...

3.8.18

Vamos fazer um trato: avisa-me quando for pra eu desistir de você? Ando tão cansada de gostar sozinha por essas histórias de amor que insisto em fazer parte, seja por descuido, seja por arte, ou mesmo por ignorar os sinais da minha intuição. Faz tempo que a reciprocidade não bate na minha porta. Você sabe que quase não permiti me entregar. E foi exatamente por já ter me machucado tanto antes... Ainda assim, tento ser coerente com o que falo. E o que sempre digo é: jamais vou desistir do amor! Mas será que foi ele quem desistiu de mim e nem teve a dignidade de me avisar? Será? E não tem problema se você quiser ir embora, juro que vou entender. Talvez chore por algumas horas o equivalente ao rio Tejo. Talvez eu mude de ideia quanto ao que acredito e faça minha sensibilidade amorosa hibernar, por um tempo indeterminado, lá no Polo Norte. 
Talvez eu tente inventar um aplicativo que apague o histórico do que aconteceu entre a gente, pois pelos métodos normais eu não consigo esquecer! Talvez no próximo mês eu encontre um novo amor que me faça compreender porque não deu certo entre você e eu. Talvez quase. Talvez tudo. Ou talvez nada... Só te peço pra ser sincero comigo e falar com todas as letras: “não te quero mais!”. Quem sabe até já tenha dito isso mil vezes, mas, tenta entender, meu coração apaixonado é burro e tem dificuldade em interpretar as entrelinhas. Cada mensagem vaga se converte na esperança de que você realmente me quer, nos quer juntos. Se não imediatamente, logo mais! No máximo, na próxima estação. Distâncias e certas diferenças não me impedem de manter vivo o sentimento que cresceu no nosso pouco tempo que, de tão intenso, significou tanta coisa em mim. E ainda significa. Pra você talvez não. Não mais. Despeço-me reiterando o pedido: seja explícito, direto, sem meia-volta. E se ainda assim eu não entender, desenha! Somando todos os sinas resultará em uma mensagem de linguagem sincrética que não deixará mais dúvidas e evitará que eu me sinta deste modo: tão boba por tentar insistir em apagar tuas dores e me fazer florescer no teu coração. 

Com amor,
Eu Lírico. 

2 comentários:

  1. Todo texto é um mar de possibilidades prestes a abraçar o leitor que se permite ver a si próprio nas linhas de outro. Tuas palavras me a carinharam e fizeram-me pensar nas discrepâncias das formas de comunicação: o falado nem sempre é o dito e o entendido quase nunca foi o propósito inicial. Quem sabe o imagético nos salve... Quem sabe não, vai que ele abre caminho para interpretações delirantes, cheias de coincidências e relações dignas dos efeitos da paixão. O problema mesmo é, então, estar apaixonado... As cores dessa ilusão de ser correspondido tingem tudo e esperamos e esperamos.
    Escreve mais. Escreve sempre. Há também algo terapêutico em teus textos.

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    1. Nossa! Até fiquei sem fôlego de ler teu comentário... Obrigada pelas belas palavras de sempre! E esse teu comentário dá um belo miniconto, heim! Hehe <3

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