POESIA CONTAMINA! Um salve pro SLAM DAS MINAS

8.6.18

Diferente da, digamos, poesia convencional, os slams são uma maneira distinta de se declamar um poema. Os textos de slam poetry, como é chamado o movimento nos EUA, são pensados, pelos slammers (os artistas que criam e declamam suas criações), com o foco em sua performance. Somado ao que se vai declamar, o como será falado é parte essencial nas rodas de slam. 
Aqui no Brasil o movimento tem ganhado cada vez mais força e visibilidade. Em Porto Alegre não é diferente. A capital gaúcha conta, atualmente, com cinco coletivos, pelo menos: Slam Liberta, Slam Chamego, Slam do Trago, Slam Peleia e o Slam das Minas. Apesar de estarmos presenciando um boom de notícias sobre esse “novo gênero” poético, ele surgiu na terra do Tio Sam nos anos oitenta mais ou menos, derivando do movimento de verso livre, que é o que conhecemos como Rap. 
Um poeta estadunidense - mais especificamente de Chicago – chamado Marc Kelly Smith que, por achar a poesia acadêmica muito elitizada, acabou por criar o slam. Já rolavam aquelas rodas de microfone aberto para os artistas demonstrarem seus dons com as rimas. E a poesia nesse formato acabou surgindo, também, nos cafés, local onde costumavam acontecer as sessões. Por volta de 1990, Marc Kelly organizou a primeira competição nacional de slam, que existe até hoje. 
No ano passado eu tive a oportunidade de assistir, pela primeira vez, uma roda de slam. Foi o Slam Peleia. Confesso que superou minhas expectativas, que já eram muito boas. É impossível não se surpreender com as rimas daquela galera. Cada verso declamado é um POW em nossa alma e coração. A poesia do slam tem como característica ser confessional. Isto é, vários jovens a utilizam para desabafar sobre os problemas enfrentados em seu dia a dia. Traumas, dores, amores e desamores costumam ser evidenciados nas “arenas” do movimento. Críticas sociais também são temas recorrentes e, eu diria até que são o carro-chefe dos assuntos nos slams. Racismo, machismo, e todo tipo de preconceito pode ser ouvido pelas vozes de jovens que amam arte, poesia, justiça e amor. 
O blog teve o privilégio de ouvir um pouco da galera do Slam das Minas sobre o movimento. Bora conferir? 

1) Falem um pouco sobre o SLAM e o SLAM DAS MINAS especificamente. 

O Slam das Minas/RS surgiu em novembro de 2016, tendo a sua primeira edição em dezembro de 2016 na Praça da Matriz em Porto Alegre. O Slam das Minas acontece sempre no segundo sábado de cada mês. 

2) Olhando para trás, lá quando vocês decidiram começar o Slam das Minas, o que diriam que as motivou? Ou quem? 

O que nos motivou foi a vontade de construir um momento onde as manas pudessem se reunir para dialogar, interagir e se sentir bem. A poesia é o nosso motor aglutinador, o que nos une. 

3) Aonde vocês querem chegar com o Slam das Minas? Já alcançaram o que desejavam com os que já rolaram? 

A cada edição do Slam das Minas/RS chegamos a algum ponto diferente de construções, desconstrução e objetivos que queremos. Antes, nossos objetivos tinham uma direção, hoje os nossos objetivos tomam outras dimensões e proporções. Mas, ainda assim, nosso objetivo principal é, junto das manas, construir outras realidades através da poesia. 

4) Para quem quiser conhecer mais sobre o Slam das Minas, onde devem procurar vocês? Quais as redes do Slam das Minas? 

Nossas rede sociais é Slam das Minas/RS. Lá tem nossos calendários de atividades, eventos e conteúdos diversos sobre poesias, questões de gênero. 

5) Como se definiriam como organizadoras e como slammers? Pode ser em uma palavra, uma frase, um parágrafo... Sintam-se livres! 

POESIA CONTAMINA!!! 

6) Influências... Vocês têm? Vocês se inspiram em alguém? Falem um pouco sobre isso... 

Todxs que colam e contribuem com o movimento de Slams e com o Slam das Minas/RS 

7) Qual a mensagem que vocês querem deixar para as pessoas que acompanham o Slam das Minas? 

Um salve a todxs! As slammers que participam do rolê, as manas que se auto organizam e as pessoas que se dispõem, a cada segundo sábado do mê,s colar junto e fazer um momento único com respeito, resistência regado de poesias e manifestos. 

8) Por último, meio que “Corrente do Bem” (risos), queria pedir para vocês indicarem alguém que considerem ser um anônimo ilustre e uma inspiração no que faz, assim como vocês. 

A todas as mulheres guerreiras que todos os dias nos ensinam a não desistir dos nossos sonhos e lutar por uma sociedade mais justa e com equidades. 


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Há muito o que dizer sobre os slams. O principal é que esse movimento dá voz a uma galera que PRECISA ser ouvida. E a gente PRECISA ouvir! Nesta matéria, quisemos mostrar o quanto a poesia, como as demais formas de arte, pode unir, trazer conhecimento, solidariedade e sororidade. O slam não rotula, não exclui e não exige, nada mais, do que seguir as mínimas regras de participação. 

No mais, gurizada, os slams libertam, unem, ensinam, acolhem e são muito amor! 
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Se tu nunca assistiu a uma roda de slam, tá perdendo tempo! Só vai preparado para rir, chorar, ficar com raiva, pedir justiça, querer abraçar, sonhar, viver e te apaixonar!

Agradecimentos especiais para as gurias do SLAM DAS MINAS, pela linda entrevista!

Tamo junto, manas!

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