Mãe: 20 anos de saudades...

11.5.18


O segundo domingo de maio, como sabemos, é comemorado o Dia das Mães. Faz pouco mais de 20 anos que fui privada do privilégio de homenagear a figura mais importante da minha vida. Mas do que isso, foi tirado de mim o direito de tê-la comigo, ao meu lado, cuidando de mim... Nessa semana senti o impulso de falar um pouco sobre ela. A mulher da minha vida. Que por curtos, mas intensos, 14 anos tive a alegria de desfrutar a presença. 
Minha mãe partiu muito nova. Muito nova mesmo. 37 anos. Idade que farei daqui 2 anos. E me sinto tão jovem. Cheia de sonhos. Com uma vida inteira pela frente. E ela também tinha. No entanto, não cabe a mim procurar respostas para, talvez, compreender os motivos cósmicos da precoce partida dela. Ainda que, diversas vezes, me questione sobre isso. 
Só quem perde uma mãe sabe o real significado do clichê “mães deveriam ser imortais”. Por mais que cresçamos, casemos e – segundo depoimentos de terceiras – tenhamos filhos, nada preenche o vazio que a ausência de uma mãe deixa. É impossível. É inimaginável. Nunca para de doer. A dor até diminui, o choro ocorre com intervalos mais longos, a gente até se esquece do assunto por alguns dias... Por ALGUNS dias! Jamais para sempre. 
Mas minha intenção aqui não é fazer as pessoas chorarem. Não mesmo! É, sim, relembrar um pouco da minha mãe e tudo o que ela tinha de bom. Porque, apesar de tanto sofrimento, ela soube ser a melhor mãe que meu irmão e eu poderíamos ter! Tinha defeitos, claro. E quem não os tem? Às vezes esquecemos que mães e pais também são seres humanos. Na verdade, sempre vou acreditar que eles são meio humanos e meio super-heróis... Quando com eles, por mais velhos que sejamos, a gente se sente aquela criança meio boba, que precisa de carinho e proteção. Ainda que queiramos protegê-los também.  
Quem teve o privilégio de conhecer minha mãe pode me ajudar a confirmar: ela era encantadora! Rossana, com seus – mais ou menos – 1.60 de altura era uma mulher gigante! Tão sonhadora... Vivia mais com a cabeça nas nuvens do que com os pés no chão. Escrevia reflexões, desabafos e até peças de teatro. Eu mesma "atuei" em uma delas. O diálogo era uma de suas maiores virtudes. Minhas amigas cansavam de ir a nossa casa para procurá-la, pedir conselhos ou simplesmente dar boas risadas. Outra de suas virtudes: bom humor! Mas sobre isso eu conto daqui a pouco! Um pouco antes de partir, quando começava a achar o seu “centro”, ela voltou a estudar e pretendia ser psicóloga. Para mim ela já até era, tamanha sua habilidade em lidar com as pessoas. Pena não ter sabido fazer o mesmo com seus próprios sentimentos, frustrações e limitações. Bem... faz parte. 
Mas voltemos ao seu bom humor! Ela era engraçadíssima. A criatividade dela era de enlouquecer. De ME enlouquecer. Me recordo de ela, na hora do almoço, ficar interpretando personagens enquanto eu comia. Eu chegava a me irritar. Cantarolava desde Elis Regina a Reginaldo Rossi. Passando por Raça Negra e Só Pra Contrariar. Subia em um banco e, prontamente, largava um “Conceiçããããão, eu me lembro muito beeeem”, ou então: "Como uma deusaaaaa, você me mantéééém.." Haha! Algumas vezes eu ria até doer a barriga. Outras eu só gritava “Paaaara, mãe!”. 
E sabe qual o resultado dessa loucura toda? Eu acabei herdando totalmente esse lado palhaça dela! Não são poucos os momentos em que me vejo nela e ela em mim. E isso me dá uma alegria enorme, pois eu admirava tantas coisas nela... E algumas dessas coisas, só depois de adulta passei a me dar conta. Éramos amigas. Unidas. Parceiras. Eu confiava nela com todo o meu ser. E ela em mim. Eu não sou parecida com ela fisicamente. Exceto a boca e o corpo. Mas a cor, os cabelos, o nariz, os olhos e a linda pintinha no rosto, não. Nada disso. Saí mais “igualzita ao pai!”, hehe.  
Com minha mãe, já muito cedo, aprendi a importância de se conversar. Explicar as coisas, quando e por que estão erradas. As conseqüências de se escolher o lado ruim delas. Aprendi, também, que apanhar não é sinônimo de ensinar. E que a educação e o amor são os maiores legados que os pais podem nos deixar. Sem sombra de dúvidas, o amor foi o que ela mais soube nos dar. Um carinho e amor infinitos que carrego comigo para sempre e que, graças a ela, saberei como e que tipo de amor meus filhos esperarão de mim. Ela nos colocava no colo e dizia: "Podem ir se acostumando, porque até quando forem mais velhos, com filhos, ainda vou colocar vocês no colinho da mamãe!". Pena não ter podido cumprir...  E, mãe, eu te prometo que vou saber dar esse mesmo amor aos meus filhos. Do jeitinho que tu deu pra mim! 
Certas vezes – me dei conta disso depois que ela partiu, claro – parecia que ela sabia que o tempo dela conosco seria curto. Ela antecipava coisas que, talvez, não fossem o momento de se falar ou fazer. Mas era o momento certo. O momento dela. Ela precisava deixar alguns ensinamentos que quando chegasse a hora de dá-los ela não estaria mais aqui. Depois que eu entendi tudo isso. E agradeci a ela por, no tempo dela aqui, ter me ensinado a ser um ser humano digno, a valorizar o estudo, a correr atrás dos meus sonhos, a viver e ser feliz! E que, de todas as coisas desse mundo, a mais importante delas é e sempre será o amor! 
Então, mãe, obrigada por me dar o gostinho de te ter ao meu lado, ainda que por míseros 14 anos. Sei que, a tua maneira, deste o teu melhor por nós. Até teu último minuto de vida. Certamente eu te faria eterna, se esse poder eu tivesse... Queria sim ter mais fotos, mais histórias, mais conselhos e mais colo. Até porque, colo de mãe é o melhor lugar para se estar. Melhor lugar para se fugir. Seja na idade que for... Mas a vida não é uma ciência exata, não é mesmo? Sei e acredito que tudo tem uma razão. Não sei se aceito, mas respeito a vontade divida e, até mesmo, a tua...
Não vou mais me alongar, pois falar em ti renderia um belo livro. E. também, quero evitar que as lágrimas consigam fugir por meus olhos. Não por não aceitar o choro. Ao contrário! Sei bem o valor que essa catarse tem. É só mesmo por não estar no lugar adequado...
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Finalizo este texto, te agradecendo por tudo o que me ensinaste: o respeito por tudo e todos. Que a verdade é sempre a melhor alternativa. O quanto o diálogo ajuda a esclarecer e resolver o pior dos problemas. A igualdade entre homens e mulheres (sou filha de uma feminista, com orgulho!). A importância de ouvir o outro, mas que ouvir a si mesmo também é essencial. Seguir o coração e lutar pelos nossos sonhos. Não ligar para a opinião dos outros e não ter medo de ser feliz! Nem todos esses conselhos tu mesma pode seguir. E nem eu internalizei todos eles ainda. Porém, o mais importante deles eu aprendi: o amor é SEMPRE a melhor resposta. Obrigada por tudo, mãe! 
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Mãe, sinto MUITA saudade... 

EU TE AMO! 

FELIZ DIA DAS MÃES!!!   

        

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