As alcunhas impossíveis

19.1.18

E o que são as palavras, se não a materialização dos sentimentos nossos? Há centenas de coisas que clamam para sair de nossas mentes e, ela, segue sendo tão ousada por insistir em racionalizar o que há nas almas vagantes, dentro da subjetividade inerente ao ser humano. Digam o que digam, escrevam o que escrevam os cânones, os experts em retórica, não é possível trazer para a concretude qualquer que sejam as sensações que nos edificam. Dores, alegrias, delírios. Tudo é tão feito de nuvem. Não se toca, não se aperta, não se cheira. Simplesmente sente-se. 
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A razão de todo esse conflito talvez seja porque, quando amamos, transferirmos à pessoa amada vários desses feelings e acaba parecendo que, estes, se solidificam nela. Logo, os poetas pensam ser oportuno dar nome a eles, do tipo: Marias, Joãos, melancolia, amor, perfume x... Não é, porém, aceitável! Não se alcunha certos lances. Alguns poetas até chegam bem perto do que é sentido, mas sempre falta algum não-sei-bem-quê... O que acontece com muitos de nós é, portanto, coisificar as emoções na tentativa de mostrar ao mundo tudo de maravilhoso que jamais conseguiremos transformar -seja na língua que for- em vocábulos...

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