Anitta ajuda a mostrar que AINDA precisamos falar sobre a lenda do corpo "perfeito"

20.12.17

O novo clipe da Anitta, Vai Malandra, reacende, mais uma vez, a discussão sobre amar o corpo que se tem somado a, corpo perfeito (pelo julgamento dos padrões midiáticos) só existe com photoshop. Depois de ler inúmeros comentários sobre o clipe, sobre a Anitta, sobre a bunda dela, sobre o diretor Terry Richardson, enfim, resolvi focar na celulite não editada do clipe.
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Certamente muitas pessoas estão alimentando o discurso de que esse assunto está batido e todo mundo sabe que os corpos das artistas passam por edição deixando tudo em seu “devido lugar” (qual mesmo?). Porém, não é o que temos visto nas notícias. Há um ano, uma menina de 11 anos cometeu suicídio por estar insatisfeita com o seu corpo. Isso é prova mais do que suficiente de que devemos falar ainda mais sobre isso. Só para citar um caso...
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Infelizmente, nem sempre “santo de casa faz milagre”. Isso é, não adianta a mãe, o pai, a vó ou o marido dizerem que encanar tanto assim com o corpo é bobagem e, mais do que isso, pode não ser saudável. É de conhecimento de todos o impacto que a mídia (infelizmente e felizmente em pouquíssimas vezes) tem em nossas vidas. E, é claro, que em tempos tão globalizados, uma artista influente como a Anitta, aparecer deixando em evidência suas celulites mexe com a autoestima de mulheres, incluindo as adolescentes. “Se a Anitta pode, porque eu não posso?”. Pode. Pode, sim. Pode muito. Negar que o desvelamento recorrente desse conto de fadas do corpo, pele e cabelos perfeitos é positivo é, também, ignorar o quanto o mascaramento dos nossos “defeitos” é nocivo, principalmente, para o desenvolvimento emocional das nossas meninas. 
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Ainda que falar sobre tudo isso seja algo recursivo, o assunto está longe de ser encerrado. Querer se sentir bem com o corpo, ok. Se submeter a procedimentos estéticos para melhorar o que julgamos (por nós mesmas) insatisfatório, ok também. O problema é quando as coisas tomam uma proporção prejudicial. Culminando, muitas vezes, em transtornos alimentares, depressão, bullying e, em casos mais extremos, mortes. Então, PRECISAMOS, sim, falar sobre isso. Precisamos de pessoas - que têm influência sobre os jovens (e adultos também, porque olha lá nós e nossa amiguinha comparando o nosso corpo com a da atriz de capa de revista e sofrendo, né? Por mais que muitas de nós negue isso!) - falando e desmistificando esses “ideais de beleza”. 
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Vi, certa vez, em alguns stories da digital influencer Shantal, ela falando sobre esse assunto, após postar uma foto (com o marido, para uma campanha publicitária), em que aparece uma “dobrinha” nas suas costas. Ela, sempre sensata em suas colocações, falou que adorou que apareceu a dobrinha. Falou, também, que – quando era colaboradora na Shultz – teve oportunidade de conhecer (e ver peladas) desde modelos da Victoria Secrets até atrizes globais. E ela fala (com o intuito de pararmos com essa palhaçada toda!) que 99% delas têm uma gordurinha, uma celulite ou estria. Então, devemos parar de buscar esse corpo inexistente: sem uma marca, um risquinho, uma verdade... Pra mim isso parece óbvio, mas para muitas mulheres, infelizmente não!
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Repito: mesmo com tanta gente trazendo à luz que NÃO EXISTE CORPO “PERFEITO” (estrias, celulites e pneuzinhos também estão sendo iluminados, rsrs), muitas de nós têm ignorado as provas, cada vez mais vivas e periódicas sobre o assunto. Definitivamente, sim, PRECISAMOS FALAR SOBRE O ASSUNTO. E, mulheres, vamos de uma vez por todas, parar de falar mal umas das outras, parar de julgar o tamanho da saia da amiga e parar de torcer o nariz quando uma desconhecida de roupa coladinha passar por nós nas ruas da cidade... Atitudes como estas alimentam aqueles discursos equivocados e infelizes, como por exemplo, "foi estuprada porque não se dá o respeito". Aff. Me poupe, se poupe, nos poupe! Eu (há muuuitíssimo tempo) também pensava coisas idiotas assim e, cá entre nós, morro de vergonha disso! Ainda bem que, pouco a pouco, tenho me despido definitivamente dessa cegueira que nossa sociedade patriarcal + a mídia + esse monte de parafernália distorcida nos enfiam guela abaixo desde que nascemos (ufa!). Chega, né?

JUNTAS SOMOS MAIS FORTES!  

No mais, veste a roupa de praia que TU QUISERES e bota a cara no sol, amiga! Bora ser feliz?


Foto retirada do blog: http://vaigordinhafoco.blogspot.com.br/2017/01/como-ter-um-corpo-de-praia.html


2 comentários:

  1. Viviane Lisboa20/12/2017 16:12

    Belíssimo texto...passei...passo...por questões desse "tipo" e sim precisamos (sociedade) falar à respeito. Como dissestes, bora ser feliz com o corpo que se tem. O importante e o mais sensato é a busca equilibrada pela saúde e não pelo corpo "perfeito", pois esse, ah esse, com certeza não existe.

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    1. Exatamente, Vivi!!! Obrigada pelo carinho e bora internalizar tudo isso e ser feliz! <3

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