JU BLASINA é a cientista-poeta que vai te surpreender por mais de oito horas por dia

11.12.17
Fotografia de Mara Bainy
A Inspiração dessa segunda-feira é a poeta Ju Blasina. A Mestra em Ciências Fisiológicas está aqui para corroborar a complexidade do ser humano, no que se refere às paixões. Ju, como é carinhosamente chamada, é "cientista por formação e artista por vocação", em suas próprias palavras. Ela escreve desde pequena e, neste ano, realizou um grande sonho: publicar seu primeiro livro de poesias intitulado 8 horas por dia, pela Concha Editora.
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Eu ainda não tive o prazer de ler o livro, mas já pude presenciar a Ju declamando poemas - seus e de outrxs - e ela é aquele tipo de poeta o qual absorvemos seus textos por cada sentido nosso. Além de escrever, a gaúcha de Porto Alegre radicada em Rio Grande, fez e faz parte de eventos culturais que contribuem para a divulgação e consolidação de artistas locais. Fomentando, com isso, o apoio e manutenção da arte em Rio Grande, cidade berço de grandes artistas nas mais diversas áreas. 
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Te convido a conhecer um pouquinho mais da trajetória da poeta Ju Blasina!  

1) Fala um pouco sobre ti e de teu trabalho. E, olhando para trás, lá quando decidiste seguir nessa área/carreira, o que dirias que te motivou? Ou quem? 

Nasci em Porto Alegre e lá vivi com minha mãe até meus 10 anos. Então passei a maior parte da minha vida em Rio Grande: estudei no Lemos, cursei faculdade de Biologia na FURG, fiz mestrado na mesma área, depois iniciei o curso de letras Português/Francês que não terminei. Na verdade, passei a maior parte da minha vida na FURG! (Risos) Hoje trabalho com cosmetologia natural e administro uma barbearia com o marido na garagem de casa.
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Escrevo poemas desde sempre, não houve um marco que eu me lembre. A poesia é algo que sempre fez parte de mim, mesmo antes de eu saber que esse era o nome adequado aos escritos que eu fazia. Eu escrevia e guardava, enchia caixas e gavetas com cadernos, agendas velhas, cadernetas e uma pilha de papéis sem fim. Guardava como um segredo. Como algo proibido pra menininhas. E assim foi até poucos anos atrás. Só em 2009 passei a publicar poemas, não sem um tremendo constrangimento! Aquela história de ir com medo mesmo, sabe? Então, eu fui. De lá pra cá, venho publicado poemas, crônicas e contos em e-zines, como a Samizdat, jornais da região – fui por três anos cronista no caderno Mulher do Jornal Agora. Tenho também apresentado e participado de eventos culturais sempre que posso – faço parte de um grupo de ativismo cultural com poetas de Pelotas chamado Mandinga Arte e Literatura, com eles trouxe três edições do Poesia no Bar a Rio Grande. 
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Aprendi que não basta escrever – isso serve como um exercício, mas o grande propósito de um texto e ser lido. É assim que ele existe, na interação com quem lê. Quando ele deixa de ser aquilo que o autor pretendeu e passa a simplesmente ser, na diversidade de cada interpretação. E eu, enquanto poeta, também preciso ir, levar (minha cara à tapa?) meu trabalho por aí, por mais difícil que essa exposição às vezes possa ser (e ela é). Isso é algo que me motiva: receber o feedback dos leitores, Ver meus poemas vivos. Isso e a própria poesia. 

2) Se fosses fazer um balanço com os trabalhos que já realizaste, qual tu consideras ser o mais importante deles? Pode ser porque te rendeu maior satisfação pessoal, financeira... enfim! O que te dá o maior orgulho de ter feito. 

Sem dúvida, minha maior felicidade profissional foi publicar meu primeiro livro! Algo bem recente – 8 horas por dia foi lançado, pela Concha editora, em outubro de 2017. Mesmo que antes eu já tivesse publicado dois e-books de forma independente, vinculados ao meu antigo blog (Poesias +2 tantos), esse é de fato o meu primeiro livro. Essa é a sensação. Talvez por eu ser uma leitora de papel, apaixonada por tudo que um livro impresso traz aos sentidos, signifique tanto pra mim ter meu livro materializado: capaz de ocupar estantes, viajar em bolsas, dormir sob travesseiros.. isso é lindo! 

3) Aonde tu queres chegar? Já alcançaste o que desejavas com o que fazes? 

Eu brinco dizendo que só planejei a vida até esse ponto: ter um livro publicado! Publiquei E agora? Minha folha está em branco! Preciso de um novo sonho.

4) Para quem quiser conhecer e contratar os teus serviços, onde devem te procurar? Quais tuas redes?

Costumo divulgar meu trabalho pela fanpage do meu antigo blog no facebook: P+2T [Ju Blasina] e, sobre o livro, também pela fanpage da editora Concha Editora. Contato mais direto pode ser feito também pelo e-mail jrblasina@yahoo.com.br ou, melhor ainda, ligar e marcar de tomar um café comigo na barbearia O Bárbaro (fone 3201-6599), na Domingos de Almeida, 591, em Rio Grande.

5) Como te definirias como artista? Pode ser em uma palavra, uma frase, um parágrafo... Sinta-se livre! 

Tem dois versos de um poema antigo onde eu disse que ‘no papel sou poeta que versa a própria pele’. E continuo sendo. Espero nunca deixar de ser – de me pôr inteira naquilo que eu faço. 

6) Influências... Tens? Tu te inspiras em alguém? Fale um pouco sobre isso... 

Em outras épocas da vida, tive muita influência dos clássicos e, especialmente, dos poetas beats. De um ano pra cá, tenho lido só mulheres e tenho feito questão de recomendar algumas dessas poetas a quem me pede: Alice Sant’ana, Daniela Delias, Adelaide Ivánova, Luiza Romão, Angélica Freitas, Líria Porto

É um prazer imenso dizer que me inspiro nelas!

7) Por último, meio que “Corrente do Bem” (risos), queria te pedir para indicar alguém - na mesma área que atuas - que consideres ser um anônimo ilustre e uma inspiração no que faz. 

Não sei o quão anônima ela ainda é, mas ilustre... isso é certeiro: Daniela Delias.

E para dar um gostinho do talento da Ju blasina, segue dois dos poemas presentes no 8 horas por dia, que pode ser adquirido pelo site da Concha Editora


ROLE PLAY

Gastava muito
tempo
vestindo-se
de outras

sem perceber

havia deixado de ser
boa
interprete de si mesma.

(Ju Blasina)

CAPCIOSA

Ela queria
porque queria
ver o que eu tinha
guardado entre as pernas

ela queria
pois não
podia
acreditar naquilo
que não via

feito um Tomé piorado

queria pôr o dedo
nos meus buracos
pra neles ter certeza
de que como ela
eu era
mulher

nada mau!
mas eu não era
mais
que um mero
mortal. 


(Ju Blasina)

A Ju nos deixou com um gostinho de quero mais! Está claro que a poesia está presente desde sempre em sua vida e que o 8 horas por dia é só o marco de uma trajetória que está bem longe de se ter um final. Ela, certamente, permanecerá em nossas cabeceiras por diversas gerações. É só o começo da carreira da cientista-poeta que guarda ainda mais talentos do que possamos imaginar! Cata um pouco mais sobre a Ju nas redes... Tu vais te surpreender! 
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E o Eu lírico, Eu empírico estará sempre por perto acompanhando a tua caminhada, Ju! 

Obrigada por essa entrevista linda que está ajudando a transformar o blog em um cantinho cada vez mais florido e empoderado!

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