O que eu quero ser quando crescer?

21.11.17


Quando exatamente nos perdemos de nós mesmos? Quando somos podados por externalizar a nossa mais pura essência, isto é, na infância? Quando passamos a assistir televisão e tomamos por lei o que as propagandas e variados programas nos vendem como o corpo, a carreira e a personalidade ideais? Ou será que é quando iniciamos nossa trajetória escolar e, na maioria das vezes, recebemos um conhecimento simplesmente transferido e que não tem um propósito, uma complexidade que nos leve a refletir e pensar sobre nós mesmos e o mundo? 
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As possibilidades são inúmeras... Nem eu mesma sei onde foi parar aquele meu eu tão dono de mim. Tão cheio de sonhos, certezas e quase-seguranças de um “o que eu vou ser quando crescer?”. Quando olho para trás tento (re)lembrar meus pensamentos, ações e tudo o que possa me levar a resgatar o que eu almejava ser, ter, viver... Sem as amarras dos compromissos da vida adulta e do quinto dia útil de cada mês.
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Estando há alguns anos em crise profissional e, em alguns pontos, pessoal, me vi em desespero, perdida, com medo por não saber o caminho a seguir... Os anos estão passando tão rápido e aquela menina que sonhou ser jornalista um dia, já está com 34 anos. Desde então, passei e tenho passado por tantas mudanças (internas e externas) e tantas reflexões sobre o meu eu e o que quero pra mim. Me sinto cobrada, acuada e reparada pelos olhos alheios. Não virei jornalista...
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Pois bem. Tanta introspecção e desespero me levou a contestar muita coisa de minha vida. E pouco a pouco, algumas coisas interessantes têm se revelado, como por exemplo, algo bem simples, que é eu nem me vestir da maneira que eu realmente gostaria. Bizarro, né? Mas é a verdade. E isso é somente a ponta do iceberg... Além dessa pequena descoberta, também percebi o quanto moldei minha vida preocupada com o que os outros (e aqui incluímos amigos, família, conhecidos, desconhecidos, mídia...) iriam pensar, fazendo, dessa forma, com que eu moldasse meu mundo conforme eles pregam, acreditam e defendem como sendo o certo, o legal, o bom. O triste, meus amigos, é saber que a maioria das pessoas vive exatamente assim...
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Pouco a pouco fui vendo (através de leituras, observações) que cada um tem a sua verdade. O que é sinônimo de felicidade para mim, nem sempre é para o outro e vice-versa. E isso vale para todos os âmbitos de nossas vidas. A outra coisa é que a gente DEVE respeitar as escolhas dos outros, mesmo achando que aquilo não é legal. Mesmo sendo alguém que a gente ama muito e que pareça estar seguindo o caminho errado. Temos livre arbítrio. Temos nossas pernas para seguirmos nosso rumo. Temos nosso coração e nossa intuição para sonharmos e temos garra para lutarmos por eles.
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Deixa o cara escolher ser médico, enfermeiro ou bombeiro. Deixa ela ser bailarina, engenheira ou comerciária. Deixa ele ser músico, arquiteto, dono de casa. Deixa ela ser escritora, empresária ou artista visual. DEIXA!
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E, voltando aquela menina que sonhava em ser jornalista: me desviei (ao menos achei) do meu caminho. Fiz letras. Tentei mestrado. Quase quis ser professora, mas, no mais íntimo do meu ser, eu sabia que não era isso, apesar da enorme admiração e respeito que tenho por essa profissão... Lecionar é a união de conhecimento, aprendizado contínuo e dom! Eu não tenho esse dom. Ser professor é ser foda, com o perdão da palavra... É matar um leão por dia e ainda sorrir no final de um desses dias duros de trabalho, porque um aluno entendeu, participou e agradeceu a troca. Ser professor é se frustrar quando a aula não saiu como se planejou, mas não desanimar e fazer do limão uma limonada, pois o amor e satisfação em ensinar são maiores do que qualquer dificuldade... Professores são verdadeiros heróis!
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Bem, e meu eu reflexivo constatou – até agora, nessa viagem eterna pela busca da minha essência - que sabe o que quer ser quando crescer desde os 7 anos de idade, ao escrever a primeira poesia. Aquela menina, sonhadora, sensível e amorosa já amava escrever. E assim foi por uns bons anos... Porém, a vida nos leva por alguns caminhos tão distantes de nossos sonhos e habilidades que nem sempre sabemos explicar. E nem posso dizer que não recebi apoio para isso. Para escrever, escrever e escrever... Recebi, sim! Da família, de amigxs, de professorxs, de muita gente por aí! Eu não sei o porquê, nem como, nem onde, eu fui me desviando das minhas certezas, até que me vi em um emaranhado de confusões internas, de perspectivas e de medos que fui, pouco a pouco, me perdendo de mim...
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Mas o milagre da vida é esse. Temos incontáveis possibilidades diante de nós e só sabemos se estamos seguindo o rumo certo, isto é, o nosso próprio rumo, ao experimentarmos... ao vivermos! As tentativas, erros e acertos. As lágrimas e os sorrisos. As pessoas, filmes, viagens e livros que lemos, a soma de tudo isso, com uma pitada de intuição e com a lealdade que precisamos ter com a gente mesmo, faz com que enxerguemos o que verdadeiramente faz vibrar nossos corações. E, acredite, nem sempre isso tem a ver com cifrões! Estamos nessa busca desde o momento em que abrimos nossos olhos pela primeira vez nesse mundo meio maluco, mas cheio de aprendizados e coisas legais...
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Eu estou me (re)conhecendo nessa busca diária, me (re)conectando com a minha verdade e te convido a fazer o mesmo. Busque, sim, tua felicidade. Aquela escolhida por ti, não pelos outros. Nunca é tarde demais para ser feliz!!!

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